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CBS fixada pelo TCU elevará peso de tributos sob gastança ‘míope’, diz CNI

Entidade que representa as indústrias alerta que alíquota de 11,3% para novo imposto em 2027 contraria propósito da reforma tributária.

CBS fixada pelo TCU elevará peso de tributos sob gastança ‘míope’, diz CNI
Presidente da Confederação Nacional da Indústria Ricardo Alban. (Foto: Michelle Fioravanti/CNI)
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que o Senado precisa atuar para evitar que a carga tributária seja elevada, a partir de 2027, com a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) em calcular em 11,3% a alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela Reforma Tributária de 2023. O alerta também aponta necessidade de equilíbrio fiscal com redução da gastança classificada como “míope” em todos os Poderes da República.
A entidade aponta que o patamar do novo imposto que vai substituir o PIS e a Cofins supera o limite que garantiria a manutenção da atual carga tributária. E cobra um debate entre senadores e especialistas evite a elevação do peso de tributos sobre empresas e consumidores, que contraria os propósitos da reformulação do sistema tributário brasileiro.
“A não elevação da carga tributária é um dos pressupostos mais importantes da reforma tributária. É por isso que o Senado deverá ponderar os elementos políticos e técnicos, provenientes do competente estudo do TCU, de modo a equilibrar os anseios dos consumidores, dos setores produtivos e as necessidades de financiamento da União”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, receberam uma carta enviada por Ricardo Alban, na quarta-feira (4), com a proposta da CNI para extensão do período de testes da CBS para o ano de 2027. O argumento é de que não houve tempo para desenvolver o novo sistema por parte dos Fiscos nem de preparação pelas empresas.
‘Miopia’ da gastança
O representante do setor industrial nacional ainda ressaltou que a Reforma Tributária aprovada como marco histórico no primeiro ano do terceiro mandato do presidente Lula (PT) precisa ser acompanhada pela redução dos gastos públicos.
“É importante lembrar que o equilíbrio fiscal passa, necessariamente, pela racionalidade dos gastos públicos de todos os Poderes e que a carga tributária no Brasil já está acima do limite para um país em desenvolvimento. Não se pode ter a miopia de que não há limites para impor novos custos à sociedade”, avalia Alban.
O presidente da CNI sugere que o Senado rediscuta o período de referência para a carga tributária que se pretende preservar. Porque o TCU considerou, em sua projeção, a carga tributária média de 2012 a 2021, por força da Lei Complementar 214/2025. Mas a arrecadação de PIS/Cofins nesse período foi ampliada pela presença de ICMS e de ISS na base de cálculo, depois retirados por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Neste contexto, a CNI conclui que o TCU extrapolou a carga tributária ao calcular a alíquota de CBS, por supera a que seria atingida se tivesse como referência um período mais recente, com PIS/Cofins recolhidos sem ICMS e ISS na sua base de cálculo.
“As diferenças em relação a projeções anteriores também podem estar em outras variáveis, como na redução da sonegação que será obtida com a reforma, no redutor sobre compras públicas e nas hipóteses de arrecadação com o Imposto Seletivo e o IPI residual. É justamente devido à natureza dos exercícios de projeção, cujas variáveis estão sujeitas a uma série de incertezas, que novas discussões técnicas sobre a alíquota se tornam necessárias”, argumenta a CNI.
Louvável ineditismo do TCU 
A atuação inédita do TCU na determinação de alíquotas de tributos federais é elogiada pela CNI como esforço para a estimativa ser a mais precisa possível. A Corte de Contas da União ainda atuou na vanguarda, ao convidar representantes de contribuintes, como a CNI, para seminário técnico convocado para avaliar o modelo de projeção sugerido.
“A CNI reforça a importância da reforma tributária para a economia brasileira. Os ganhos proporcionados por ela, como o fim da cumulatividade e a desoneração de investimento e exportações, certamente vão acelerar o crescimento econômico e aumentar a qualidade de vida dos brasileiros. É no sentido de maximizar esses ganhos que a entidade reforça a necessidade de um debate profundo no Senado e se coloca à disposição para participar do diálogo que levará à melhor resposta aos interesses da sociedade brasileira.”
‘Imposto do pecado’ pesará mais 55,6%
O Governo Federal informou ao setor de fumo que haverá novo aumento de 55,6% na tributação com o Imposto Seletivo, apelidado de ‘imposto do pecado’. E a alíquota sobre o setor de fumo passará dos atuais R$ 2,25 para R$ 3,50 por maço de cigarro, com base em liminar da Justiça Federal. O que contraria acordo negociado entre CNI, setores afetados e o Ministério da Fazenda do governo de Lula, para o aumento não superar R$ 3,00.
“Infelizmente, a quebra do acordo vai incentivar ainda mais a expansão do cigarro ilegal no Brasil”, conclui a CNI.
🗒️ Pesquisa, Redação e Edição: Carlos Martins
✍️ Por Davi Soares | Diário do Poder
🌐 Acesse: wwww.passarefm.com.br
📸 Imagem/Reprodução

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